Abolir ou não o sistema de notas?
Li um artigo de Stephen Kanitz (Veja, edição1955) que mostra seu ponto de vista sobre o sistema de notas. Com palavras belas e discurso persuasivo, Kanitz foge da realidade, mas convence o público leigo que o certo a fazer é acabar com as notas e "ensinar a auto-avaliação".
Imagine não aplicar uma prova para um médico recém-formado. Ele entraria, talvez, no mercado de trabalho sem habilidades e competências para identificar um trauma ou fazer uma cirurgia simples. A de concordar que a avaliação é importante. Ou seja, para aprendermos temos de estudar para sermos avaliados.
Sou a favor da reformulação do conceito de notas. Não deve haver avaliação punitiva. Temos de dar nota ao que o indivíduo produziu. Seriedade no processo avaliativo é a chave.
Querido(a) leitor(a), quer saber por que sou contra a auto-avaliação? Simplesmente, porque o indivíduo não sabe se auto-avaliar, por mais que se ensine os critérios, como Kanitz sugere, ele reverterá a seu favor. De 0 a 10, quem se daria menos que 5? Pouquíssimos, talvez.
Os maiores absurdos nesse artigo foi quando Kanitz falou que "sem notas, os piores alunos seriam obrigados a estudar" e "se seu filho não quer estudar, não o force". Pergunto a você: onde está o juízo deste homem? A nota é o aluno quem faz, sem falar que é este sistema que o prende na sala. Como seriam obrigados a estudar sem nota? Acho que não estamos falando da educação brasileira. "Se seu filho não quer estudar, não o force". Quer dizer que se meu filho quizer jogar bola o dia inteiro não devo obrigá-lo a fazer a lição de casa? Ele pega no caderno quando quizer? E se ele não quizer nunca? Até parece a propaganda do computador do milhão (SBT) que fala "o seu filho não quer estudar? Dê um computador para ele!" Logo se vê que Kanitz é administrador e não educador.



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